domingo, 4 de dezembro de 2016



Nota da Associação de Médicos Católicos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro em Defesa da Dignidade da Vida Humana.


Diante da decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, no último dia 29 de novembro de 2016, não considerando mais o aborto cometido até os três meses de vida do feto como crime a Associação dos Médicos Católicos do Rio de Janeiro vem lamentar tal sentença e reafirmar que de acordo com a embriologia a vida humana tem início na fecundação quando é gerado um indivíduo único, que se nada interferir no seu desenvolvimento, irá nascer em 38 semanas. Não havendo fundamento biológico para justificar o aborto em qualquer momento da gestação.

A embriologia é uma ciência relativamente nova. A descoberta dos gametas data do século XVII, porém foi apenas no século XIX que surgiu o conceito de fecundação. Esta ideia está presente na ‘teoria celular’ de Virchow[1]. Atualmente, os embriologistas concordam que toda vida humana tem origem no encontro do espermatozoide paterno com o óvulo materno.
O óvulo e o espermatozoide possuem 23 cromossomos cada um, e as demais células do corpo humano têm 46, sendo chamadas células somáticas. Em cada célula somática temos 22 pares de cromossomos denominados autossômicos e um par de cromossomos sexuais XX ou XY, que definem o sexo feminino ou masculino, respectivamente.
Com a união dos dois gametas, restauramos o número total de cromossomos, gerando um novo ser humano com uma IDENTIDADE GENÉTICA ÚNICA, diferente da dos progenitores. Esta primeira célula já tem, em seu núcleo, o DNA com toda a informação genética necessária para gerar um novo ser.
O processo de divisão celular por mitose segue ininterruptamente e, pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de se desenvolver em um ser humano completo. São as células tronco totipotentes.
Dentro de três ou quatro dias as células do embrião assumem um formato esférico, sendo assim chamado de mórula. Após quatro ou cinco dias, forma-se uma cavidade no interior da mórula e, então, o embrião passa a se chamar blastocisto. As células internas do blastocisto, também chamadas de massa celular interna, vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano, ou seja, são pluripotentes. A massa celular externa, por sua vez, dará origem à placenta e aos anexos embrionários.
Depois da implantação no útero, inicia-se a formação da placenta, que serve como interface entre o sistema circulatório da mãe e do embrião. A placenta traz oxigênio e nutrientes ao embrião, promovendo a troca entre os nutrientes e detritos, mantendo também a homeostasia do sistema circulatório sem que o sangue do feto se misture com o da mãe. Também produz hormônios e mantem a temperatura levemente maior que a da mãe. A comunicação entre a placenta e o embrião é feita através dos vasos do cordão umbilical.
Dentro de uma semana, as células da massa interna formam duas camadas chamadas de hipoblasto (que dá origem ao saco vitelino) e epiblasto (que origina a membrana amniótica).
Depois de aproximadamente duas semanas e meia, o epiblasto terá formado três tecidos especializados, ectoderma, endoderma e mesoderma. O ectoderma dará origem ao cérebro, coluna vertebral, nervos, pele, unhas e cabelo. O endoderma dará origem ao sistema respiratório, tubo digestivo e órgãos como o fígado e pâncreas. O mesoderma formará,  principalmente,  coração, rins, ossos, cartilagens, músculos e células sanguíneas.
Dentro de três semanas, o cérebro estará se dividindo em três, chamados cérebro anterior, médio e mesencéfalo. Nesta fase se desenvolvem os sistemas respiratório e digestivo.
A medida que as primeiras células sanguíneas aparecem no saco vitelino, vasos sanguíneos se formam por todo o embrião e aparece o coração tubular. Este, rapidamente, começa a crescer, dobra-se sobre si mesmo, na medida em que as câmaras começam a se desenvolver.
O coração começa bater três semanas e um dia após a fertilização. O sistema circulatório é o primeiro do corpo que atinge o estado funcional. Em quatro semanas aparecem os brotos dos membros. A pele é transparente, tendo a espessura de uma célula. À medida que vai se espessando, perde a sua transparência, só se podendo observar o crescimento dos órgãos internos por aproximadamente mais um mês.
Entre quatro e cinco semanas o cérebro continua seu rápido crescimento e se divide em cinco partes distintas. A cabeça compreende cerca de um terço do tamanho do embrião. Os hemisférios cerebrais aparecem, tornando-se gradativamente a maior parte do cérebro.
Os rins permanentes surgem em cinco semanas. O saco vitelino contém as primeiras células reprodutivas, chamadas germinativas, que migram dentro de cinco semanas para os órgãos reprodutivos. Também em cinco semanas o embrião desenvolve a placa das mãos e a formação da cartilagem inicia-se. Em seis semanas, os hemisférios cerebrais estão crescendo desproporcionalmente mais rápido que outras partes. O embrião começa a fazer movimentos espontâneos e reflexos. Neste mesmo período ocorrem as formações de células sanguíneas no fígado, onde estão os linfócitos (importante no desenvolvimento do sistema imunológico).
Dentro de seis semanas e meia pode-se distinguir os cotovelos, os dedos começam a se separar e podem-se observar movimentos das mãos. A formação dos ossos, a ossificação, inicia-se nos ossos da clavícula e dos maxilares. Nesta fase, já se observam soluços e podem ser vistos movimentos das pernas e resposta a susto.
O coração com quatro câmaras, em geral está completo, batendo em média 168 batimentos por minutos, mantendo o padrão de ondas semelhantes aos adultos. Os ovários são identificáveis em sete semanas e as mãos e os pés podem se unir. Ao completar oito semanas, o cérebro é altamente complexo e constitui quase metade do tamanho do embrião. O crescimento continua numa taxa extraordinária, já tendo dominância da mão direita (75%) ou esquerda (25%).
O embrião torna-se mais ativo, ocorrendo rotação da cabeça, extensão do pescoço, contato da mão com o rosto. Iniciam-se os movimentos respiratórios. Os rins produzem urina que é liberada no líquido amniótico.
Oito semanas marcam o final do período embrionário. Durante esse período, o embrião humano cresce de uma única célula a quase um bilhão de células. Agora possui mais de 90% das estruturas encontradas em adultos[2].
Durante suas oito primeiras semanas, o ser humano que se desenvolve é chamado de embrião, que significa o que cresce internamente. Esta fase é chamada de período embrionário e é nesta que se desenvolvem os principais sistemas do corpo.
A partir da oitava semana, o embrião passa a ser chamado de feto, que significa filho não nascido, e é neste período fetal que o corpo cresce e os órgãos iniciam o seu funcionamento.[3] Veja no ANEXO 1 o quadro completo sobre o desenvolvimento embrionário humano.



ANEXO 1
Desenvolvimento do Embrião Humano
0 min
Fecundação
 fusão de gametas
Celular
12 a 24 horas
Fecundação
fusão dos pró-núcleos
Genotípico estrutural
2 dias
 Primeira divisão celular
Divisional
3 a 6 dias
Expressão do novo genótipo
Genotípico funcional
6 a 7 dias
Implantação uterina
Suporte materno
14 dias
Células do indivíduo diferenciadas das células dos anexos
Individualização
20 dias
Notocorda maciça
Neural
3 a 4 semanas
Início dos batimentos cardíacos
Cardíaco
6 semanas
Aparência humana e rudimento de todos os órgãos
Fenotípico
7 semanas
Respostas reflexas à dor e à pressão
Senciência
8 semanas
Registro de ondas eletroencefalográficas (tronco cerebral)
Encefálico
10 semanas
Movimentos espontâneos
Atividade
12 semanas
Estrutura cerebral completa
Neocortical
12 a 16 semanas
Movimentos do feto percebidos pela mãe
Animação
20 semanas
Probabilidade de 10% para sobrevida fora do útero
Viabilidade
extrauterina
24 a 28 semanas
Viabilidade pulmonar
Respiratório
28 semanas
Padrão sono-vigília
Autoconsciência
28 a 30 semanas
Reabertura dos olhos
Perceptivo visual
40 semanas
Gestação a termo ou parto em outro período
Nascimento
2 anos após o nascimento
“Ser moral”
Linguagem para comunicar vontades






[1] Cf. LEONE, S. As raízes antigas de um debate recente. In CORREA, J. SGRECCIA, E. Identidade e Estatuto do Embrião Humano: Atas da Terceira Assembléia da Pontifícia Academia para Vida. São Paulo: EDUSC, 2007, p. 57.

[2] The Endowment for human development.inc 2001-2007. The biology of Prenatal development.
[3] Op cit.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Investigando um Milagre


Caros amigos,

convidamos todos os associados e amigos da Associação de Médicos Católicos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro para o nosso próximo encontro que terá como tema: "Investigando um Milagre". 

Contaremos com o testemunho do neurocirurgião Dr José Augusto Nasser dos Santos, MD, PhD, que foi relator do processo que resultou no reconhecimento do Milagre que levou a canonização de Madre Teresa de Calcutá. Seu currículo pode ser encontrado no seu blog: http://blog.cancaonova.com/drnasser/jose-augusto-nasser/.

O encontro será realizado dia 16/11/2016 (quarta-feira), às 18:30 h, no 3 andar do Edifício João Paulo II - Rua Benjamin Constant, 23 - Glória. A entrada é gratuita.

Também gostaríamos de reforçar o convite de nosso Arcebispo, Dom Orani João Tempesta, para que estejamos todos presentes na Solenidade da Festa da Unidade de nossa Arquidiocese que será celebrada dia 12/11/2016 (sábado) a partir das 08:00 h na Catedral Metropolitana (Av. Chile - Centro). Nesta mesma ocasião será celebrado o encerramento do Ano Santo da Misericórdia e o fechamento da Porta Santa. 

sábado, 23 de abril de 2016

D.I.A. na praia - duc in altum, buscando águas mais profundas

EVENTO MARCA OS SETE ANOS DA PÁSCOA DO SERVO DE DEUS GUIDO SCHÄFFER




     No dia 1º de maio, vão se completar sete anos da páscoa do Servo de Deus Guido Schäffer. Para homenagear o também médico e surfista carioca, que está em processo de beatificação, será realizado, na data, o evento campal D.I.A. na Praia, no posto 11 da Praia do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

     A sigla do evento Duc In Altum, expressão que significa buscando águas profundas. A manhã começa com a Santa Missa, presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, às 8h, que será transmitida ao vivo pela WebTV Redentor. Logo após, haverá um momento de louvor e testemunhos.

     Em seguida, será realizado um surfe comemorativo em homenagem ao Guido, que era surfista, para lembrar as últimas ondas que ele “dropou” antes de partir para junto do Pai. Também será feita uma roda de oração no mar.
No local do evento, haverá o Espaço Guido Schäffer, um lounge com a exposição sobre a vida do Servo de Deus.

     Guido tinha como uma das virtudes, a caridade. Por isso, no local, haverá a arrecadação de alimentos não perecíveis para os moradores de rua, com quem ele tinha muito carinho.
Além de ser a primeira missa para celebrar a Páscoa de Guido no local em que morreu, o evento também quer atrair os surfistas para a causa do Servo de Deus, no mês dedicado ao surfe no Rio, em função da etapa do mundial na Praia da Barra da Tijuca, e proporcionar aos cariocas e turistas o conhecimento da história dele.

     Na data, 1º de maio, também se comemora o Dia do Trabalho e a celebração vai lembrar a dedicação de Guido às funções que desempenhou com dedicação em vida: a Medicina e a preparação para o sacerdócio. É também o primeiro dia do mês de Nossa Senhora, de quem Guido era extremamente devoto.

     Segundo a mãe de Guido, Maria Nazareth Schäffer, o evento será um momento de evangelização para quem lá estiver. “Como pede o Papa Francisco, é sair e ir ao encontro do outro, exatamente o que Guido gostava de fazer. Muitas vezes, evangelizou na praia, entre uma onda e outra. O mar era, para ele, um local de encontro também com Deus e seu grande desejo, ganhar almas para Cristo. Para mim, é uma forte emoção, pois até hoje nunca fui até o local em que Guido fez sua páscoa definitiva”, disse.

FAMÍLIA DE DEUS

     Filho de católicos fervorosos, desde muito novo foi incentivado a seguir os caminhos de Deus. Para a mãe de Guido, Maria Nazareth Schäffer, o filho dedicou a vida e profissão ao cuidado com os mais necessitados. “Eu me sinto agraciada por Deus ter me dado o filho que tive. O Guido, pelo exemplo de vida dele, de uma pessoa comunicativa e prestativa, sempre com o olhar voltado para os outros, vai ajudar muitas pessoas a terem também esse olhar e um contato maior com Deus através da oração. Ele é um modelo de como ser jovem numa cidade grande, como o Rio de Janeiro, nos dias atuais. Você pode ser um jovem que estude, goste de esportes e esteja ligado à Deus, pensando não só em si, mas nos outros”, afirmou.

   Após se formar em Medicina, Guido integrou o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia do Rio e prestou atendimento gratuito a moradores de rua. Inclinado ao sacerdócio, ingressou no Seminário São José em 2008. Em maio de 2009, aos 34 anos, o jovem seminarista morreu afogado quando surfava na despedida de solteiro do amigo Eduardo Martins, na Praia do Recreio, na Zona Oeste. Eduardo diz que o rapaz realizava "pequenos milagres" diariamente. “A vida nos pede uma grande e profunda responsabilidade ao amor de Deus. O Guido tinha uma sede tão grande do amor de Deus e, de fato, buscou a Ele em tudo. Levou com muita sinceridade a Palavra de Deus para os amigos. Tudo o que fazia se entregava de corpo e alma. Por isso, a pregação dele era tão eficaz. Falava com uma propriedade e um conhecimento que vinha da experiência e intimidade com Deus. Ele era alguém com quem eu me aconselhava e tinha sempre uma palavra em qualquer situação que eu estivesse passando. O Guido estava totalmente tomado pelo amor de Deus. Nada tirava a paz dele. E conseguia transmitir isso para os amigos”, lembrou.

     Quem também sempre fez parte da vida de Guido foi o Padre Jorge Luiz Neves, mais conhecido como Padre Jorjão, a quem considerava como pai por ter ajudado na caminhada espiritual. Hoje presidente da Associação Guido Schäffer e autor de um livro sobre a vida do jovem, o sacerdote afirma que o surfista é um exemplo para outros jovens. “A importância que o Guido tem é apontar no mundo de hoje, com tão poucos valores, alguém que busca um ideal alto. O mundo se conforma com a mediocridade e, por conta disso, quantos jovens perdem sua vida. Quanta gente hoje acaba morrendo não fisicamente, mas para o futuro, porque não encontrou valores pelos quais possa pautar sua vida, referências que firmem sua existência. A droga, o vício, o álcool e a compulsão são uma tentação muito forte. Quando vemos um jovem que tinha uma profissão, um jovem normal, que falava gírias, mas encontrou em Cristo a referência de sua vida, percebemos que ainda há motivos para ver esperança neste mundo”, disse.

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

     O processo de beatificação de Guido teve início em janeiro de 2015 e está em andamento. Para a mãe de Guido, Maria Nazareth, é uma graça de Deus ver o filho no processo. “O processo de beatificação de um filho é para os pais uma grande graça, consolação e alegria espiritual. Espero que seja bem sucedido e, assim, as maravilhas que Deus fez em Guido e através dele possam ajudar a levar mais pessoas para Cristo, como era o seu desejo”, disse.

SERVIÇO

D.I.A. na Praia – Evento pelos 7 anos da páscoa do Servo de Deus Guido Schäffer
1º de maio, a partir das 8h
Posto 11 da Praia do Recreio dos Bandeirantes

Renato Saraiva - Assessor D.I.A. na Praia – Contato: (21) 99568-7479

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resposta da Santa Sé ao Vírus Zica




A Santa Sé disse na última terça-feira que a comunidade internacional deve responder ao vírus Zika com a "devida vigilância," mas que o "caminho a seguir não deve ser ditado pelo pânico", e condenou as recentes declarações de alguns funcionários da ONU pedindo aos países para liberalizar as leis de aborto em resposta ao vírus.
O observador permanente da Santa Sé junto à Organização das Nações Unidas, arcebispo Bernardito Auza, falou durante uma conferência sobre o vírus Zika, que tem sido associada a defeitos congênitos, como microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.
"Estamos profundamente preocupados com a chamada recente de alguns funcionários de governo, bem como do Gabinete do Alto Comissário para os Direitos Humanos, para a liberalização das leis do aborto e acesso a abortivos como um meio para evitar o nascimento de crianças com defeitos congênitos, "disse Dom Auza.
"O aumento do acesso ao aborto e abortivos não é somente uma resposta ilegítima a esta crise, como  uma vez que termina a vida de uma criança que, fundamentalmente não é preventiva", continuou ele.
"Independentemente da conexão com o vírus Zika, é um fato da existência humana que algumas crianças desenvolvem condições como microcefalia, e que essas crianças merecem ser protegidos e tratadas ao longo das suas vidas, de acordo com a nossa obrigação de salvaguardar toda a vida humana , saudável e deficientes, com igual empenho, não deixando ninguém para trás ", disse Dom Auza. (RV)

As observações completos por Dom Auza estão abaixo:

Intervenção da Missão do Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas durante a discussão interativa seguindo o Briefing sobre o vírus Zika, convocada pelo presidente do Conselho Econômico e Social

16 de fevereiro de 2016

Sr. Presidente,


a minha delegação gostaria de agradecer-lhe pela organização do Briefing de hoje e de agradecer aos representantes da OMS, Organização Pan-Americana da Saúde e do CDC pelas suas apresentações informativas e oportunas.

Sr. presidente,

É com profunda preocupação com os povos da América Latina e para com o mundo, que a minha delegação toma a palavra hoje. Conter e combater a propagação do vírus Zika e a emergência de saúde resultante é não somente um grande desafio para os governos da América Latina, mas também para toda a comunidade internacional, que está em solidariedade com os afetados. Sentimo-nos encorajados pelo compromisso OMS e da Organização de Saúde Pan-Americana na luta contra esta emergência de saúde pública internacional, e instamos todos os governos, em conjunto com o sistema das Nações Unidas, para fazer todos os esforços para ajudar a região a parar a propagação do vírus e fornecer às pessoas já infectadas o tratamento adequado e o acesso aos serviços de saúde necessários.

Gostaríamos de chamar a atenção para os pobres e os vulneráveis, especialmente os idosos, as crianças e as pessoas com deficiência, que podem estar tanto em maior risco de contrair o vírus como serem  menos propensos a ter acesso imediato às ferramentas de prevenção, informação e tratamento médico. Eles precisam da nossa máxima atenção e temos de ter certeza de não deixá-los para trás.

No contexto deste vírus, as mães grávidas e seus filhos nascituros também estão entre as fileiras dos mais vulneráveis. A ligação sugerida entre Zika e defeitos de nascimento representa uma preocupação extremamente grave, que justifica uma ação conjunta da comunidade internacional. Mais pesquisas são necessárias para determinar uma ligação entre o vírus e microcefalia e síndrome de Guillain-Barré. É evidente a partir da pesquisa e informações atuais que, felizmente, nem todas as mulheres grávidas que contraem o vírus colocam seus filhos em risco de ter defeitos congênitos. Além disso, até à data, a transmissão do vírus foi verificada principalmente através de picadas de mosquito e apenas raramente de mãe para filho. (1) Embora tenha havido sugestões de que a doença pode ser transmitida sexualmente, esses relatórios raras ainda têm de ser medicamente confirmada.

Devido à escassez de provas científicas conclusivas até este ponto, e as consequências dramáticas para a vida humana, segue-se que o caminho a seguir não deve ser ditada pelo pânico mas com a devida vigilância.

Dadas as potenciais implicações para a gravidez e para a propagação da doença, é claro que parte de uma resposta eficaz deve envolver a promoção da abstinência.
Para ser claro, há a necessidade de uma solução global que incida sobre o acesso à informação, tratamento preventivo, e necessários serviços de saúde, especialmente no contexto da saúde materna e infantil.
Sr. presidente,

A este respeito, estamos profundamente preocupados com a recente chamada por alguns funcionários do governo, bem como o Gabinete do Alto Comissário para os Direitos Humanos, para a liberalização das leis do aborto e acesso a abortivos como um meio para evitar o nascimento de crianças com defeitos de nascença.

Não é apenas o aumento do acesso ao aborto e abortivos uma resposta ilegítima a esta crise, como uma vez que termina a vida de uma criança, fundamentalmente, não é preventiva. Em vez disso, a promoção de uma política tão radical é a confirmação de uma falha da comunidade internacional para impedir a propagação da doença e para desenvolver e fornecer o tratamento médico que as mulheres grávidas e seus filhos precisam, a fim de evitar o desenvolvimento de defeitos de nascimento ou mitigar os seus efeitos e levar a gravidez a termo.

Deve-se enfatizar que o diagnóstico de microcefalia em uma criança não deve justificar uma sentença de morte. Recentemente, uma jornalista brasileira nascido com microcefalia, Ana Carolina Cáceres, se manifestou contra a desinformação e medo em torno da condição que está levando alguns a pensar que para aqueles com microcefalia, como Ana Carolina, é melhor não viver do que viver e contribuir para a nossa sociedade como ela faz. Vamos manter Ana Carolina e seu testemunho em mente à medida que deliberarmos sobre a maneira correta de responder à crise. Independentemente da a conexão com o vírus Zika, é um fato da existência humana que algumas crianças desenvolvem condições como microcefalia, e que essas crianças merecem ser protegidas e tratadas ao longo das suas vidas, de acordo com a nossa obrigação de salvaguardar toda a vida humana, saudável e pessoas com deficiência, com igual empenho, não deixando ninguém para trás.

(1)
....................................

Traduzido de www.fiamc.org

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mensagem de Advento do Presidente da Federação Internacional de Associações Médicas Católicas


Queridos amigos,

Não importa onde você esteja no mundo, você sabe que o Natal chegará em poucos dias. O Natal tornou-se uma "celebração", com uma obsessão em banquetes e presentes. Seduzidos pelas festas e cânticos, muitos de nós vamos acordar no “Boxing Day” com uma certa sensação de vazio e desilusão porque "o natal" acabou, pelo menos, por mais um ano.

No calendário litúrgico, existem duas estações onde a Igreja exórta-nos a passar o tempo em reflexão sobre o nosso relacionamento de aliança pessoal com Deus. Nós, muitas vezes, atendemos ao apelo de uma renovação da nossa fé por meio do arrependimento durante a Quaresma, enquanto que, a mesma chamada para uma relação mais profunda é muitas vezes perdida nas festividades do Natal. Tanto o Advento como a Quaresma, são tempos para refletirmos sobre o grande presente que Deus, nosso Pai nos deu e o grande sacrifício que Jesus fez para se tornar homem e viver entre nós.

Nós muitas vezes fazemos bem a abstinência, passamos o tempo em reflexão e oração durante a Quaresma. Devemos tentar fazê-lo semelhante durante o Advento, pois comemoramos o começo da grande realidade da nossa salvação. O Advento é um tempo especial para rezarmos e contemplarmos com Maria, enquanto nos preparamos para Jesus nascer em nossos corações. Para festejarmos bem, temos de nos preparar bem. Para compartilharmos Jesus com os outros, é preciso primeiro ter Jesus brilhando dentro de nós. Vamos dar de presente, Jesus, para os outros, um presente muito mais valioso do que qualquer outro que pode ser comprado nas lojas nesta temporada. Se tomarmos Cristo fora do Natal, então torna-se "natal" um outro feriado pagão e somos obrigados a sentir o vazio em nossas vidas.

Nove anos atrás, minha esposa Priscilla e eu, com alguns de nossos filhos e amigos da igreja decidimos ir ao Camboja, levar a alegria do Advento para algumas crianças pobres, seguindo o exemplo de Maria, que foi a primeira a carregar Jesus, levando a Boa Nova ao mundo. A aceitação incondicional do amor aos pobres nos propôs que, agora as nossas férias anuais (da família), são passadas no Camboja. O sentimento de felicidade quando estendemos a mão para compartilhar Cristo com os outros ou o que eu chamo de "Joy of Service" não pode nunca ser totalmente descrito, ele só pode ser experimentado. A alegria que eu estava procurando em vão em coisas materiais na minha juventude, eu descobri em Jesus e agora todo dia é Natal.

Neste Advento, que celebramos o Natal com nossos entes queridos, vamos pensar nas milhões de pessoas que são vítimas de perseguição religiosa, especialmente os cristãos na Síria e no Iraque. Hoje, no Oriente Médio islâmico com o estabelecimento do Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), os cristãos sofrem perseguições que mal podemos imaginar. Aqueles que tiveram a sorte de fugir de suas casas antes de serem presos estão alojados em condições deploráveis em campos de refugiados com pouca esperança para o futuro. Qual tem sido sua resposta a atos de violência contra os cristãos? Vamos refletir sobre como nós, como indivíduos, organizações e uma família internacional de Médicos Católicos podemos responder a esta tragédia. Espero que neste Advento, o Espírito Santo  inspire todos nós, para tentarmos fazer a nossa parte na erradicação deste flagelo que aflige a sociedade moderna de hoje. Nenhum ato é muito pequeno ou insignificante. Você pode começar a mudar o mundo, restaurando a dignidade de um único indivíduo violado. Em Mateus 25:40, Cristo exorta todos e cada um de nós para levarmos a Boa Nova aos que estão sofrendo, "Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos e irmãs, o fará à mim."

Gostaria de concluir esta mensagem com uma oração. Nosso Pai amoroso, abra nossos ouvidos para ouvirmos e nossos olhos para vermos a sua presença silenciosa em nossas vidas. Molde nossas vidas com o seu amor transformador, para que possamos ser portadores de sua boa nova em nosso mundo. Enquanto aguardamos a sua vinda na glória, durante este período de Advento, nos manteremos vigilantes e fiéis, sabendo que estás sempre conosco. Fazemos esta oração em nome de Jesus, Nosso Senhor e Salvador, Amém.

Que a paz e a alegria do novo Cristo nascido, esteja com você e sua família neste Natal e sempre.

Seu em Cristo,


John

sábado, 5 de dezembro de 2015

Assembleia Geral Ordinária será adiada.



Prezados Colegas,

fomos convidados no último dia 30/11 a participar da Celebração de Natal das Pastorais e Associações que atuam em nível arquidiocesano no dia 09/12/2015 às 18:30 h com nosso cardeal Dom Orani João Tempesta no auditório do 2 andar do Edifício João Paulo II.

Devido ao conflito de data e horário com nossa Assembléia Geral Ordinária decidimos por adiar a mesma para primeira reunião de 2016 agendada para 16 de março, a fim de conservar o espírito de unidade com nosso arcebispo e as demais pastorais e associações da arquidiocese. 

Espero encontrar a todos na celebração. 

Em Cristo!

Pedro Spineti
Presidente da AMC RJ

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Dom Sergio da Rocha inaugura Associação de Médicos Católicos de Brasília


Dom Sergio da Rocha, arcebispo metropolitano de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vai inaugurar no próximo domingo, 15 de novembro, a Associação de Médicos Católicos de Brasília (AMCB). O grupo quer ajudar os profissionais da área a testemunharem a fé católica nas diversas realidades do sistema de saúde do Distrito Federal.
No Brasil, as principais associações de médicos católicos estão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Ceará.  No mundo, a Federação Internacional de Associações de Médicos Católicos (Fiamc) contabiliza mais de 40 entidades nos cinco continentes.
Em Brasília, a ideia de fundar uma associação surgiu nos encontros de formação e oração promovidos pela Comissão Arquidiocesana de Bioética e Defesa da Vida. Na ocasião, dom Sergio incentivou a proposta que já rende frutos para a Igreja local.
A fundação acontece durante a 5ª Manhã de Oração e Reflexão, que também conta com a presença de dom José Aparecido Gonçalves, bispo auxiliar de Brasília. A programação começa às 8h30, com uma celebração eucarística na Catedral Nossa Senhora Aparecida.
De lá, os participantes seguem para a Cúria Metropolitana onde poderão conhecer os projetos, o estatuto e a diretoria da Associação. A fundação incluirá promessas solenes dos médicos associados.
Cláudio Bernardo de Freitas, ginecologista-obstetra, toma posse como diretor da Associação no dia 15. Formado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1973, ele se mostra preocupado com os rumos que vários colegas da área tomam, se abstendo de princípios éticos fundamentais nas decisões médicas.
O site da Arquidiocese de Brasília conversou com o Dr. Cláudio sobre a criação da Associação e os desafios que ela deve enfrentar. Publicamos para os nossos leitores essa conversa:
***
O porquê de uma Associação de Médicos Católicos
“Na minha percepção, a nossa cultura ocidental está trocando a ética por uma pauta moral sem fundamentação lógica ou sistêmica traduzida na expressão ‘politicamente correto’, construída em lugar incerto e não sabido por pessoas que não dão as caras. Nesta onda, vai toda a sociedade, ou parte dela. Os médicos não ficaram fora desta influencia desastrosa. As mudanças no Código de Ética Médica, feitas nas últimas décadas, são preocupantes. Assim, é importante que nós, médicos, manifestemos o compromisso com os princípios que sempre foram o sustentáculo da dignidade da nossa profissão. Além disso, a Arquidiocese, que tem a verdade científica como um aspecto da sabedoria de Deus, manifestou-nos a necessidade de ter sempre atualizadas as suas informações sobre os avanços da ciência médica. Em acréscimo, nós médicos católicos apreciamos muito a nossa convivência, inclusive para trocar experiências clínicas e ajuda mútua nas nossas atividades profissionais e filantrópicas”.
Atividades da Associação
“O primeiro esforço será de congregar um número expressivo de médicos. Uns duzentos, em Brasília. Também precisamos nos conhecer melhor e formar consensos. Destes, tomar as prioridades de ação. Uma diretoria fundadora tem este tipo de missão. É certo que desafios vão aparecer e serão enfrentados, como demandas de esclarecimento científico à Arquidiocese, participação em formações do clero, religiosos e leigos, entre outras. Já temos trocado informações e ajudas nos nossos grupos sociais eletrônicos. Também temos nos articulado em atividades filantrópicas promovidas pela Igreja. Elaboramos um importante documento em uma consulta pública do Ministério da Saúde. Fizemos alguns seminários: o mais importante tratou da ocorrência de burn out entre os médicos. Enfim, creio que estas atividades vão aparecer ainda mais”.
Desafios do médico católico
“Quando eu me formei, o Código de Ética Médica dizia que o trabalho do médico somente deveria beneficiar o paciente e o próprio médico. Hoje, isto soa como um delírio. O trabalho do médico está inserido, debilmente, numa rede de interesses econômicos e também políticos. O corpo médico perdeu muito de sua força e dignidade. Seu trabalho é, via de regra, comandando por empresas e pelos interesses políticos dos governos. Ele próprio tende a supervalorizar a sua remuneração, como medida do sucesso e recompensa profissional.
O outro desafio é conviver com a banalização da vida e do corpo humano. A sacralidade da vida e do corpo humano é o que tornava a medicina uma ciência especial. Hoje, temos a impressão que o corpo – desde o ovo – de um animal em extinção parece mais importante que o humano. Certamente o ovo da tartaruga é mais protegido que o humano. Isto parece confundir também parte dos médicos e da população. As pessoas somente percebem isso quando precisam muito de um médico que as trate como coisa sagrada, de valor absoluto.
O terceiro desafio que me ocorre é a ampla circulação das informações médicas. Isto tem um impacto muito positivo, mas também tem trazido problemas para os médicos. Sim, porque esta circulação geralmente vem pela mídia, que, como sabemos, vende audiência e tem nela seu patrimônio. Assim passa informações impactantes com objetivo maior de atrair atenção, muitas vezes com promessas de curas que são somente possibilidades. A educação em saúde é outra coisa. O próprio erro médico é tratado de forma sensacional e, por vezes, muito injusta. De qualquer forma, a internet provocou grande mudança nos conhecimentos dos pacientes, paralelamente ao que lhe passa o seu médico, e também como fonte de instrução dos próprios médicos. Ou seja, vieram oportunidades e desafios que temos que enfrentar, sem saudosismo”.   
O 5º Encontro de Oração e Reflexão dos Médicos do Distrito Federal é voltado para profissionais da área da saúde e tem entrada gratuita. Mais informações pelo sitewww.promotoresdavida.org.br
(Fonte: arquidiocesedebrasilia.org.br)